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CIRURGIA DOS ACESSOS VASCULARES PARA HEMODIÁLISE
O médico nefrologista que o(a) trata, necessita de um acesso venoso que permita a realização de hemodiálise (processo para purificar o seu sangue de diversas substâncias). Esta abordagem é constituida por uma veia ou uma prótese localizada o mais superficialmente possível, de forma a ser puncionada em cada sessão de diálise e através dela circular um fluxo suficiente de sangue.
MÉTODOS A técnica mais simples consiste em criar uma comunicação (fístula) entre o sistema arterial e o sistema venoso, seja directamente, seja por intermédio de uma prótese para que a veia se dilate e a sua picada seja fácil de efectuar. Quando a veia é de má qualidade (por ter sido já utilizada numerosas vezes, ou ter um calibre demasiado fino) ou não existe, os médicos recorrem ao uso de uma prótese sintética.
ANESTESIA A intervenção é praticada sob anestesia, local ou geral, conforme o local anatómico onde a fístula vai ser construida e de acordo também com as condições físicas particulares de cada doente. O Anestesista explicar-lhe-há as vantagens e os riscos de cada uma dessas técnicas.
COMPLICAÇÕES POSSÍVEIS Como em todas as intervenções, a criação de uma fístula arterio-venosa pode sofrer complicações. A técnica cirúrgica mais frequentemente realizada, consiste em estabelecer uma fístula arterio-venosa entre a artéria radial e a veia cefálica, ao nível do punho. Pode ocorrer : Um atrazo da cicatrização, uma inflamação ou uma infecção da ferida cutânea. Estas lesões podem conduzir à formação de um abcesso. Pode formar-se um queloide, isto é, uma cicatriz hipertrófica, grossa, acastanhada e dolorosa. Podem ocorrer lesões de nervos sensitivos, em particular ao nível do polegar e da face dorsal da mão, com zonas de anestesia ou pelo contrário hiperestesia (sensibilidade incómoda). Hemorragia ao nível da sutura arterial que pode ser externa ou provocar um hematoma. Trombose, quer dizer formação de um coágulo, que oclui a fístula já criada. Quando a fístula fica a funcionar correctamente, a veia superficial vai dilatar-se de forma progressiva, por vezes de uma maneira muito importante, formando um cordão sinuoso debaixo da pele. Na sua evolução normal, vai dar uma sensação de frémito (fervor ou tremor local), ou mesmo a audição de um sopro contínuo, quando se ausculta ou simplesmente se encosta o ouvido no local.
COMPLICAÇÕES MAIS TARDIAS Trombose expontânea, ou devida à compressão após uma sessão de hemodiálise. Infecção favorecida pelas punções. Mau funcionamento da fístula por estenose (diminuição do calibre do ramo arterial ou venoso), conduzindo à redução do débito sanguíneo através dela, o que impede uma diálise suficiente e em boas condições. Em alguns casos, pode ocorrer um «roubo» do sangue arterial que vai passar preferencialmente para a veia através da fístula, diminuindo e tornando insuficiente a circulação arterial da mão. Todas estas complicações podem impor uma nova intervenção.
CASOS PARTICULARES Em alguns casos, a fístula arteriovenosa é feita logo em primeira intenção, ou mais frequentemente é refeita (no caso de trombose da fístula precedente), a um nível mais alto, mais perto da raiz do membro, na face anterior do antebraço, na prega do cotovelo, ou mesmo do braço, e ainda mais raramente na coxa. Nestas reintervenções, mais complicadas, é mais frequente a utilização de uma prótese que faz uma ponte entre a artéria e a veia.
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